Venda de caminhões novos cresce 2,5% em setembro – Transporte Moderno

06/10/2026

O mercado brasileiro de caminhões registrou crescimento em setembro, tanto na comparação com agosto quanto ante o mesmo mês do ano passado, mas o resultado acumulado ainda permanece abaixo de 2025. Segundo dados da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave) divulgados na manhã desta segunda-feira (5), foram 9.845 caminhões emplacados em setembro, alta de 2,51% sobre agosto, quando foram licenciadas 9.604 unidades, e de 2,65% sobre setembro de 2025, que registrou 9.591 unidades.

No acumulado de janeiro a setembro, entretanto, o segmento soma 78.665 caminhões, ante 81.850 no mesmo período do ano passado, queda de 3,89%. Na avaliação do presidente da Fenabrave, Arcelio Junior, o desempenho dos veículos pesados continua condicionado ao custo financeiro, mas os programas de incentivo contribuíram para interromper a trajetória de queda observada anteriormente. “Nos veículos pesados, o custo financeiro tem impacto importante, porque estamos falando de um investimento ligado à atividade econômica, mas as linhas especiais ligadas ao Move Brasil, já esgotadas, ajudaram a reverter o movimento de queda”, afirma.

Os efeitos do programa de renovação de frota Move Brasil ainda podem aparecer nos próximos meses, de acordo com a Fenabrave. O prazo para protocolo das operações destinadas à renovação das frotas terminou em 28 de agosto, e a comunicação das contratações ao BNDES foi encerrada em 28 de setembro. Segundo a entidade, o intervalo entre a contratação do financiamento, o faturamento e o licenciamento dos veículos pode fazer com que parte desses negócios apareça nos dados de emplacamentos somente nas próximas semanas.

A evolução dos dados mostra, portanto, uma melhora nos volumes mensais, mas o acumulado ainda não acompanha o resultado de 2025. A diferença entre os nove primeiros meses dos dois anos é de 3.185 caminhões. O desempenho de setembro reduz parcialmente essa distância, mas o segmento ainda precisaria manter resultados positivos nas próximas semanas para diminuir a diferença acumulada.

Implementos rodoviários entram no campo positivo

O mercado de implementos rodoviários apresentou desempenho mais forte em setembro. Foram 6.821 unidades emplacadas, contra 6.567 em agosto, crescimento de 3,87%. Na comparação com setembro de 2025, quando foram registradas 5.941 unidades, a alta foi de 14,81%.

Com esse resultado, o segmento passou a apresentar crescimento no acumulado de 2026. Entre janeiro e setembro, foram 53.879 implementos rodoviários emplacados, contra 53.695 no mesmo período de 2025. A variação é positiva em 0,34%. A Fenabrave classifica o resultado como uma mudança de trajetória do segmento após períodos de queda.

Segundo Arcelio Junior, a evolução mais recente indica melhora gradual, mas a continuidade desse movimento dependerá das condições de investimento das empresas de transporte. “Os resultados mais recentes indicam uma melhora gradual deste mercado, acima do verificado em 2025 e em anos anteriores. O último resultado expressivo do segmento foi em 2021. A continuidade desse movimento depende das condições de investimento do transportador e da renovação da frota, que foi estimulada pelos incentivos ofertados pelo Move”, afirma o presidente da Fenabrave.

A diferença em relação aos caminhões é clara nos números acumulados. Enquanto os caminhões ainda registram queda de 3,89% nos nove primeiros meses do ano, os implementos já superaram, embora por margem estreita, o volume registrado em igual período de 2025.

Apesar dos resultados positivos de setembro, as projeções da Fenabrave para o fechamento de 2026 permanecem abaixo dos volumes registrados no ano passado. Para caminhões, a entidade estima 102.245 unidades no ano, ante 110.873 em 2025, o que representa retração de 7,8%.

A projeção atual é inferior à estimativa anterior de 114.752 caminhões, que apontava crescimento de 3,5% sobre o resultado de 2025. A revisão reflete o desempenho acumulado do mercado ao longo do ano e coloca a expectativa de fechamento abaixo do volume registrado no exercício anterior.

Com 78.665 caminhões emplacados até setembro, o mercado já atingiu cerca de 77% da projeção anual. Para chegar às 102.245 unidades estimadas pela Fenabrave, seriam necessários aproximadamente 23,6 mil caminhões no último trimestre.

Para os implementos rodoviários, a projeção atual é de 63.516 unidades em 2026, contra 71.030 em 2025, queda de 10,6%. A estimativa anterior era de 72.450 unidades, com previsão de crescimento de 2%.

O resultado acumulado até setembro, contudo, está ligeiramente acima do registrado no ano passado. Os 53.879 implementos licenciados nos nove primeiros meses correspondem a aproximadamente 85% da projeção atual para o ano.

Mercedes-Benz lidera

A distribuição dos emplacamentos por fabricante mostra concentração do mercado de caminhões nas principais marcas. Em setembro, a Mercedes-Benz respondeu por 28,88% dos emplacamentos, seguida pela Volkswagen Caminhões e Ônibus, com 26,74%, e pela Volvo, com 18,86%.

Na sequência aparecem Scania, com 10,86%, Iveco, com 6,98%, DAF, com 6,02%, e Foton, com 1,70%. As demais marcas representam 0,96% do mercado. Mercedes-Benz, Volkswagen e Volvo, juntas, responderam por 74,48% dos emplacamentos de caminhões em setembro. A participação das três principais fabricantes evidencia a concentração do mercado, enquanto as demais marcas dividem pouco mais de um quarto das vendas.

No acumulado de janeiro a setembro, a disputa entre Mercedes-Benz e Volkswagen permanece bastante próxima. A Mercedes-Benz tem 27,78% de participação, enquanto a Volkswagen Caminhões e Ônibus registra 27,39%. A Volvo aparece com 18,06%, seguida por Scania, com 11,05%, Iveco, com 7,75%, DAF, com 5,91%, e Foton, com 1,48%. As demais fabricantes somam 1%.

Na comparação entre setembro e o acumulado, a Mercedes-Benz teve participação maior no mês, de 28,88%, contra 27,78% no acumulado. A Volkswagen registrou 26,74% em setembro, ante 27,39% no acumulado, enquanto a Volvo passou de 18,06% no acumulado para 18,86% no mês.

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