A Tata Motors inicia em 7 de setembro o período de aceitação da oferta voluntária em dinheiro para adquirir as ações ordinárias da Iveco Group. A proposta prevê o pagamento de 14,10 euros por ação e já recebeu o apoio unânime do Conselho de Administração da fabricante italiana, que recomenda aos acionistas aceitar a oferta e votar a favor das resoluções relacionadas à operação na Assembleia Geral Extraordinária, marcada para 16 de outubro.
A operação reúne duas empresas com portfólios e capacidades considerados complementares e com praticamente nenhuma sobreposição em suas operações industriais e geográficas. Segundo o comunicado, a combinação resultará em um grupo com vendas superiores a 590 mil veículos comerciais por ano e receita de aproximadamente 21 bilhões de euros. A Europa responderá por cerca de 46% da receita, a Índia por 32%, a América do Sul por 8% e as demais regiões por 14%. As companhias também apontam posições relevantes em mercados emergentes da Ásia e da África.
A Tata afirma que pretende apoiar e acelerar a estratégia já existente da Iveco e considera que a operação poderá ampliar as oportunidades de crescimento e criação de valor no longo prazo. Para as empresas, a combinação das redes de fornecedores, capacidades industriais e presença geográfica permitirá formar uma plataforma mais diversificada para atender clientes e investir em novas tecnologias.
Exor apoia operação
A Exor, maior acionista da Iveco, assumiu um compromisso irrevogável de apoiar a oferta e vender sua participação. A posição corresponde a aproximadamente 27,06% das ações ordinárias da fabricante e a 43,19% de todos os direitos de voto, segundo o comunicado.
A oferta estabelece como condição, entre outros requisitos, a obtenção de pelo menos 95% das ações ordinárias da Iveco. O percentual poderá ser automaticamente reduzido para 80% se os acionistas aprovarem a chamada Back-End Resolution na Assembleia Geral Extraordinária.
Se alcançar 95% ou mais das ações, a Tata poderá iniciar o procedimento de squeeze-out previsto pela legislação holandesa para adquirir os papéis remanescentes. A operação poderá ser precedida, a critério da ofertante, por uma cisão e uma venda de ações.
Caso a participação fique entre 80% e 95%, a Tata pretende implementar uma estrutura de cisão e liquidação pós-oferta, desde que as medidas sejam aprovadas pelos acionistas na assembleia. O resultado da adesão, portanto, poderá determinar não apenas a mudança de controle da Iveco, mas também uma alteração de sua estrutura societária.
Grupo terá presença em diferentes mercados
A escala é um dos principais argumentos apresentados pelas companhias para a combinação. Tata Motors e Iveco afirmam que seus negócios são complementares e que a sobreposição entre suas operações industriais e geográficas é limitada. A união permitirá reunir uma base de clientes e uma presença geográfica mais diversificadas.
As empresas também esperam obter ganhos de eficiência com o aumento dos volumes. Segundo o comunicado, a maior escala poderá permitir melhor aproveitamento das operações, distribuição dos investimentos de capital sobre uma base maior e redução da volatilidade do fluxo de caixa. A combinação também deverá ampliar a capacidade do grupo de investir em soluções de mobilidade inovadoras e sustentáveis.
A Tata e a Iveco destacam ainda a possibilidade de aproveitar as redes de fornecedores das duas empresas para ampliar as oportunidades de crescimento. A estratégia prevê a preservação das respectivas estruturas industriais e das comunidades de funcionários, medida que, segundo o comunicado, deverá contribuir para uma integração mais tranquila.
FPT amplia importância no negócio
A combinação também deverá fortalecer as capacidades da FPT, empresa de sistemas de propulsão da Iveco Group. O negócio acrescenta ao grupo uma atividade voltada ao desenvolvimento de tecnologias de propulsão para veículos comerciais, ampliando o conjunto de competências reunidas pela operação.
Para Tata e Iveco, essa capacidade será relevante diante da transformação da indústria de veículos comerciais, que exige investimentos em novas tecnologias e soluções de mobilidade. A expectativa é que a união das estruturas, fornecedores e competências das duas companhias aumente a capacidade de desenvolvimento e investimento do grupo.
Executivos destacam complementaridade
Girish Wagh, diretor-gerente e CEO da Tata Motors, afirmou que o início da oferta representa um marco na combinação de duas organizações complementares e com compromisso compartilhado com excelência, inovação e atendimento aos clientes.
Segundo Wagh, a união das duas empresas cria a possibilidade de formar um negócio de veículos comerciais mais competitivo globalmente, com maior capacidade de atender clientes, investir em tecnologias futuras e gerar valor sustentável.
Olof Persson, CEO da Iveco Group, também destacou o aumento de escala e alcance proporcionado pela operação. Para o executivo, a combinação poderá acelerar a inovação e ampliar a oferta de produtos aos clientes, além de criar oportunidades de longo prazo para funcionários, fornecedores e parceiros.
A Tata afirma ainda que pretende considerar os interesses de longo prazo dos diferentes públicos ligados à Iveco, incluindo funcionários, fornecedores e clientes. Para a empresa indiana, a operação como uma subsidiária integralmente privada será importante para sustentar a estratégia do negócio e a criação de valor no longo prazo.
Acionistas começam a decidir em setembro
O período de aceitação da oferta começa em 7 de setembro e termina em 26 de outubro. Antes disso, os acionistas se reunirão em Assembleia Geral Extraordinária em 16 de outubro para votar as resoluções relacionadas à operação.
A partir da adesão dos acionistas e das decisões tomadas na assembleia, serão definidos os próximos passos da transação, incluindo a possibilidade de retirada das ações da Iveco da estrutura de mercado caso sejam atingidos os níveis de participação previstos na oferta.