Roubo de cargas gera prejuízo direto de quase R$ 1 bilhão

31/03/2026

Levantamento da NTC&Logística aponta queda no número de ocorrências, em 2025

Redação TranspoData

Foto Banco de Imagens, Divulgação

Os roubos de cargas no Brasil apresentaram recuo de 16,7% no ano passado, com total de 8.570 ocorrências. Apesar da queda, o impacto financeiro permanece elevado. O prejuízo direto estimado chega a aproximadamente R$ 900 milhões, podendo ultrapassar R$ 1 bilhão ao considerar os efeitos indiretos, como aumento de custos operacionais, seguros e impacto no preço final dos produtos.

Os dados são da Associação Nacional do Transporte de Cargas e Logística (NTC&Logística), que há mais de duas décadas monitora e analisa o roubo de cargas no Brasil. Confira o levantamento completo, clicando aqui.

Para o presidente da entidade, Eduardo Rebuzzi, os dados reforçam a importância da continuidade das ações conjuntas, mas evidenciam que o problema ainda está longe de ser superado, ainda que haja avanços importantes no campo institucional e legislativo. “A redução registrada ao longo dos últimos anos demonstra que o trabalho conjunto entre setor produtivo e poder público tem gerado resultados. Ao mesmo tempo, evoluímos em pautas importantes, fruto de um trabalho consistente de articulação e construção técnica”, avalia.

Ressalta que um dos pontos centrais para reduzir o roubo de cargas é o combate à receptação, que sustenta economicamente esse tipo de crime. Cita como avanço concreto nesse sentido a sanção da lei nº 15.358/2026, que institui o Marco Legal do Combate ao Crime Organizado, fortalecendo o enfrentamento das estruturas criminosas e ampliando os mecanismos de punição e investigação. “Essa é uma medida importante para dar mais segurança a quem atua dentro da legalidade. Ainda assim, o cenário segue preocupante e exige atenção permanente, com ações estruturadas e integradas em todo o país”, enfatiza.

O levantamento mostra que o crime segue concentrado em regiões estratégicas do país. O Sudeste responde por 86,8% das ocorrências, com destaque para Rio de Janeiro e São Paulo, com a maior parte dos registros nacionais. São Paulo registrou 3.470 ocorrências e o Rio de Janeiro, 3.777 registros.

Além da concentração geográfica, o estudo aponta uma evolução no perfil das ações criminosas. As quadrilhas têm priorizado cargas de alta liquidez, como alimentos, combustíveis, medicamentos e eletrônicos, e adotado estratégias mais sofisticadas, como interceptações em movimento, abordagens durante entregas e atuação em áreas urbanas e corredores logísticos.

O vice-presidente extraordinário de segurança da NTC&Logística, Roberto Mira, destaca que o cenário atual exige uma resposta ainda mais coordenada. “Mesmo com a redução no volume de ocorrências, o crime vem se tornando cada vez mais sofisticado. As organizações criminosas atuam de forma estruturada e com inteligência, o que exige do setor e das autoridades uma resposta igualmente integrada, com uso de tecnologia, informação e cooperação contínua”, registra.

O roubo de cargas é um problema que ultrapassa a esfera criminal, impactando a competitividade do transporte rodoviário de cargas, a previsibilidade logística e o custo Brasil. No levantamento, desafios estruturais, como a fragmentação de dados e a necessidade de maior integração entre os sistemas de segurança pública, também são evidenciados. “Nosso compromisso é seguir contribuindo com dados, inteligência e articulação institucional. O enfrentamento do roubo de cargas passa por uma visão sistêmica, que envolve toda a cadeia logística e, principalmente, o combate às estruturas que financiam essa atividade criminosa”, reforça Rebuzzi.

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