Recursos do Move Brasil 2 para frotistas devem se esgotar até a segunda quinzena de julho, diz diretor da Volvo Caminhões – Transporte Moderno

04/06/2026

De Curitiba*

A Volvo avalia que os recursos destinados aos frotistas na segunda fase do programa Move Brasil deverão se esgotar até a segunda quinzena de julho. Segundo Alcides Cavalcanti, diretor da Volvo Caminhões, a demanda pelo crédito subsidiado está ocorrendo em ritmo ainda mais acelerado do que na primeira edição do programa, impulsionando uma antecipação das compras de caminhões por parte das transportadoras.

A nova etapa do Move Brasil entrou em vigor em 29 de maio com R$ 21 bilhões em recursos, dos quais R$ 17 bilhões foram reservados para o segmento de caminhões, R$ 2 bilhões para ônibus e R$ 2 bilhões para transportadores autônomos.

“Já esperávamos esse movimento e foi exatamente o que aconteceu. Muitos clientes que planejavam renovar a frota ao longo do ano decidiram antecipar as compras para garantir acesso aos recursos”, afirmou Cavalcanti.

Segundo o executivo, a antecipação envolve tanto empresas que deixariam a renovação para o segundo semestre quanto aquelas que tradicionalmente distribuem as aquisições ao longo do ano. “Havia transportadores aguardando uma possível redução das taxas de juros ou planejando compras para mais adiante. Com a abertura da linha, optaram por acelerar as decisões para assegurar o financiamento”, explicou.

De acordo com Cavalcanti, os sinais iniciais mostram uma velocidade de contratação superior à observada na primeira fase do programa. Informações preliminares apontavam que cerca de R$ 2,5 bilhões já haviam sido contratados poucos dias após a abertura da nova rodada de crédito. “A expectativa é que os recursos para frotistas estejam comprometidos até a segunda quinzena de julho”, disse.

O executivo lembra ainda que a aprovação do financiamento garante a reserva dos recursos mesmo que o faturamento do caminhão ocorra posteriormente. Após a aprovação do crédito, os clientes contam com prazo de até três meses para concluir o faturamento dos veículos.

Embora não divulgue o volume de caminhões financiados na primeira fase do Move Brasil, Cavalcanti afirmou que a Volvo Financial Services (VFS) foi a terceira instituição financeira que mais utilizou os recursos do programa. Entre os bancos ligados a montadoras, a operação financeira da Volvo liderou a contratação dos financiamentos subsidiados.

Programa sustenta o mercado

Para a Volvo, o Move Brasil tornou-se um dos principais fatores de sustentação do mercado brasileiro de caminhões em 2026, em um cenário ainda marcado por juros elevados e menor apetite para investimentos.

No primeiro trimestre do ano, o mercado registrou queda de aproximadamente 28% em relação ao mesmo período de 2025. Com a recuperação observada nos meses de abril e maio, a retração acumulada diminuiu para cerca de 15%.

Apesar da melhora, a fabricante mantém uma visão cautelosa para o restante do ano. “Continuamos entendendo que o mercado deverá fechar entre 10% e 15% abaixo do registrado no ano passado”, afirmou Cavalcanti.

Segundo ele, sem o programa de financiamento subsidiado, a retração poderia ser significativamente maior. “O Move Brasil está ajudando a sustentar o mercado. Sem esse recurso, a queda poderia ser muito mais acentuada”, avaliou.

Demanda antecipada não justifica expansão industrial

Embora a nova rodada de crédito esteja impulsionando os negócios, a Volvo não vê o movimento atual como suficiente para justificar expansões permanentes da capacidade produtiva. Para Cavalcanti, o aumento das vendas decorre principalmente da antecipação de compras que ocorreriam mais adiante, e não de uma expansão estrutural da demanda.

“Não se trata de uma demanda nova. É uma demanda que está sendo antecipada. Por isso, não faz sentido tomar decisões estruturais, como abrir um terceiro turno de produção, para atender um movimento temporário”, explicou. Segundo ele, ampliar a capacidade industrial diante de um estímulo de curto prazo poderia gerar dificuldades futuras caso os recursos se esgotem e o mercado volte a desacelerar.

Mesmo com o aumento da demanda impulsionado pelo Move Brasil 2, a Volvo ainda opera abaixo de sua capacidade instalada nas linhas de caminhões produzidas em Curitiba (PR). O complexo industrial da montadora na capital paranaense, que reúne as fábricas de cabines, caminhões e motores, emprega atualmente cerca de 1.500 funcionários.

A linha F trabalha em dois turnos e produz aproximadamente 85 veículos por dia. A capacidade instalada, porém, permite alcançar até 100 unidades diárias sem necessidade de expansão da estrutura produtiva. Já a linha VM opera em um único turno, com produção de cerca de 40 caminhões por dia, também abaixo de sua capacidade máxima.

Como explicou o diretor da Volvo Caminhões, o aumento da demanda observado nas últimas semanas está diretamente relacionado à antecipação de compras estimulada pelo Move Brasil 2. Como se trata de um movimento pontual e dependente da disponibilidade dos recursos subsidiados, a montadora não vê justificativa para ampliar permanentemente a operação.

Programa permanente ainda é incerto

O executivo afirmou que existem discussões no mercado sobre a possibilidade de transformar o Move Brasil em um programa permanente, mas ressaltou que a viabilidade da proposta depende da disponibilidade de recursos para subsidiar as taxas de financiamento. “É uma iniciativa que exige aporte de recursos. Tudo depende da capacidade de o governo e os agentes financeiros sustentarem esse subsídio ao longo do tempo”, disse.

Enquanto isso, a expectativa da Volvo é que a segunda fase do programa continue impulsionando as vendas nos próximos meses e contribua para reduzir a queda prevista para o mercado brasileiro de caminhões em 2026.

*A jornalista viajou a convite da Volvo Caminhões.

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