Move Brasil 2 já libera R$ 3 bilhões em menos de uma semana e pode ficar sem recursos em julho – Transporte Moderno

04/06/2026

O Move Brasil 2 começou em ritmo acelerado e já contratou mais de R$ 3 bilhões em financiamentos na primeira semana de operação, segundo informações do presidente da Anfavea, Igor Calvet, durante um encontro com a imprensa especializada na manhã desta quarta-feira (3).

O volume corresponde a aproximadamente 15% dos R$ 21,2 bilhões disponibilizados pelo governo federal para a renovação de frotas de caminhões, ônibus e implementos rodoviários. Os números reforçam a percepção da indústria de que a segunda edição do programa está avançando mais rapidamente que a primeira e poderá consumir boa parte dos recursos já nas próximas semanas.

A avaliação encontra respaldo nas projeções da Volvo Caminhões. Segundo Alcides Cavalcanti, diretor da montadora, os recursos destinados aos frotistas deverão estar comprometidos até a segunda quinzena de julho. “Já esperávamos esse movimento e foi exatamente o que aconteceu. Muitos clientes que planejavam renovar a frota ao longo do ano decidiram antecipar as compras para garantir acesso aos recursos”, afirmou.

A segunda fase do programa entrou em vigor em 29 de maio com R$ 21,2 bilhões em recursos, sendo R$ 17 bilhões destinados ao segmento de caminhões, R$ 2 bilhões para ônibus e R$ 2 bilhões para transportadores autônomos.

Os primeiros resultados divulgados pelos bancos ligados às montadoras mostram a velocidade da demanda. O Scania Banco informou ter aprovado R$ 310 milhões em financiamentos nos dois primeiros dias do programa. O volume envolveu mais de 280 operações e a comercialização de 364 bens, entre caminhões, ônibus, implementos rodoviários e carrocerias.

O montante já representa cerca de 30% de tudo o que a instituição aprovou durante o Move Brasil 1, quando viabilizou mais de R$ 1 bilhão em financiamentos e a venda de mais de 1.250 caminhões.

“O Move Brasil é um catalisador importante para a modernização do transporte no país”, afirmou Oscar Jaern, presidente da Scania Serviços Financeiros Brasil.

Para Fabio D’Angelo, diretor comercial do Scania Banco, o programa oferece uma janela de oportunidade que exige rapidez dos clientes. “O Move Brasil 2 abre uma janela importante de oportunidades, com recursos relevantes e condições competitivas, mas com prazo limitado”, destacou.

Antecipação de compras acelera consumo dos recursos

Segundo Cavalcanti, da Volvo, a procura está sendo impulsionada principalmente pela antecipação de investimentos que ocorreriam ao longo do segundo semestre. Transportadoras que aguardavam uma possível queda dos juros ou planejavam renovar a frota mais adiante decidiram acelerar as decisões para garantir acesso às linhas subsidiadas.

Informações preliminares obtidas pela Volvo indicavam que cerca de R$ 2,5 bilhões já haviam sido contratados poucos dias após a abertura do programa, corroborando os números citados pela Anfavea. “O financiamento aprovado garante a reserva dos recursos, mesmo que o faturamento do caminhão ocorra posteriormente. Os clientes têm até três meses para concluir a operação”, explicou Cavalcanti.

Para a Volvo, o Move Brasil tornou-se um dos principais fatores de sustentação do mercado brasileiro de caminhões em 2026. No primeiro trimestre, os emplacamentos acumulavam retração próxima de 28% na comparação com igual período do ano passado. Com a recuperação observada em abril e maio, a queda diminuiu para cerca de 15%.

Ainda assim, a expectativa da fabricante é que o mercado encerre 2026 entre 10% e 15% abaixo do resultado registrado em 2025. “O Move Brasil está ajudando a sustentar o mercado. Sem esse recurso, a queda poderia ser muito mais acentuada”, afirmou Cavalcanti.

A avaliação é compartilhada por Calvet. Segundo ele, o programa tem sido decisivo para manter o nível de atividade em um ambiente de juros elevados e menor disposição dos transportadores para investir.

Efeito deve chegar até o fim do ano

Apesar da velocidade das contratações, os impactos nos emplacamentos ainda não apareceram integralmente. Segundo Calvet, existe um intervalo entre a aprovação do crédito, a produção dos veículos e a entrega aos clientes. Por isso, mesmo que os recursos sejam totalmente comprometidos em julho, os reflexos sobre as vendas deverão se estender até o último trimestre.

“Se o dinheiro acabar em julho, ainda haverá o processamento dos contratos, a produção e a entrega dos veículos. Isso pode gerar impacto nos emplacamentos até outubro ou novembro”, afirmou.

A expectativa agora é acompanhar se a segunda edição do programa conseguirá ampliar a participação dos transportadores autônomos ou se continuará concentrada principalmente nos grandes operadores de frota.

O forte interesse do mercado reacendeu as discussões sobre a possibilidade de transformar o Move Brasil em uma iniciativa permanente.

Para a Volvo, no entanto, essa discussão depende da disponibilidade de recursos públicos para subsidiar as taxas de financiamento. “É uma iniciativa que exige aporte de recursos. Tudo depende da capacidade de o governo e os agentes financeiros sustentarem esse subsídio ao longo do tempo”, afirmou Cavalcanti.

Enquanto isso, a indústria acompanha a velocidade das contratações. Se o ritmo atual for mantido, a segunda edição do programa poderá repetir o fenômeno observado na primeira fase: recursos esgotados em poucas semanas e forte concentração das vendas no período de vigência da linha especial de crédito.

Apesar das discussões sobre a criação de um programa permanente de renovação de frota, o presidente da Anfavea avalia que, no momento, não há perspectiva de novos aportes governamentais após o encerramento do Move Brasil 2. “A indústria continuará defendendo mecanismos que estimulem a modernização da frota nacional, mas o setor já trabalha com a possibilidade de que os recursos atuais sejam os últimos disponíveis no curto prazo.”

Na avaliação do executivo, caberá ao mercado encontrar alternativas para sustentar a demanda por caminhões e ônibus a partir do segundo semestre, quando os recursos do programa estiverem esgotados.

Clique aqui para acessar a fonte do texto!

Compartilhe nas redes sociais:

Categorias

Inscreva-se na nossa Newsletter e fique por dentro de todas as notícias

Por que ser associado?

Ao se associar, sua empresa passa a contar com uma entidade que representa o setor, facilita conexões, reduz custos e contribui para o desenvolvimento.

Leia também

Novas formas de posse e uso de veículos nas cidades

O aumento dos custos de manter um automóvel, que inclui impostos, seguro,...

Elétrico da Marcopolo participa de teste operacional no Rio de Janeiro

Elétrico da Marcopolo participa de teste operacional no Rio de Janeiro –...

Bosch aposta em motor híbrido a etanol para reduzir dependência do diesel – Transporte Moderno

A Bosch está estruturando uma estratégia para reduzir a dependência do diesel...