Mercedes-Benz projeta Fenatran 10% abaixo de 2024 e prevê mercado estável em 2027 – Transporte Moderno

25/10/2026

A Mercedes-Benz do Brasil projeta que os negócios realizados durante a Fenatran 2026 fiquem cerca de 10% abaixo do registrado na edição de 2024. A expectativa considera a antecipação de compras de caminhões impulsionada pelo programa de renovação de frota Move Brasil, além das condições econômicas que influenciam as decisões de investimento dos transportadores.

“Na nossa projeção interna, a última Fenatran teve números muito expressivos. Para esta edição, estou vislumbrando números em torno de 10% mais baixos”, afirma Jefferson Ferrarez, vice-presidente de vendas e marketing da Mercedes-Benz do Brasil.

O executivo ressalta que o resultado dependerá da confiança dos clientes e do comportamento do mercado após as eleições. A expectativa, entretanto, é de que a feira continue sendo uma importante plataforma de negócios para o setor, mesmo em um ambiente de juros elevados e maior cautela nas decisões de compra.

Segundo Ferrarez, o programa Move Brasil antecipou parte das aquisições previstas para o segundo semestre de 2026. Com isso, uma parcela das compras que poderiam ocorrer durante a Fenatran já foi realizada anteriormente.

O calendário da feira também influencia o resultado. Como o evento ocorre em novembro, boa parte dos caminhões negociados deverá ser entregue no início de 2027. Veículos que precisam receber carrocerias podem levar de três a quatro meses até o emplacamento, enquanto cavalos mecânicos demandam pelo menos um mês, de acordo com o executivo.

Por esse motivo, a Mercedes-Benz não espera que as negociações da Fenatran alterem significativamente os números de emplacamentos de 2026. O impacto comercial deverá aparecer principalmente no primeiro trimestre de 2027, com entregas ao longo do primeiro semestre.

Mercado deve repetir patamar em 2027

Para o próximo ano, a Mercedes-Benz trabalha com a perspectiva de um mercado de caminhões em nível semelhante ao de 2026. Ferrarez avalia que a demanda estrutural por transporte continuará sustentando a necessidade de renovação das frotas, mas não espera um novo impulso de compras equivalente ao proporcionado pelo Move Brasil.

O custo do crédito e as condições de financiamento continuarão influenciando a capacidade de investimento dos transportadores. Para a indústria, o desafio será transformar a necessidade de renovação da frota em aquisições efetivas, em um ambiente que exige maior atenção à rentabilidade das operações.

O mercado de usados também interfere diretamente nas vendas de veículos novos. Segundo Ferrarez, os caminhões seminovos entram frequentemente nas negociações como parte do pagamento e podem facilitar ou dificultar a substituição da frota.

Quando há excesso de oferta e dificuldade de realocação dos veículos, a necessidade de vender caminhões por preços mais baixos pressiona os valores de mercado e pode afetar tanto as operações de locação quanto as negociações de veículos novos.

O executivo defende um programa governamental estruturado e de longo prazo para incentivar a renovação dos caminhões mais antigos. Na avaliação dele, uma iniciativa dessa natureza ajudaria a dar maior previsibilidade ao mercado e estimularia a substituição dos veículos ao longo dos próximos anos.

Mercedes-Benz amplia portfólio para diferentes operações

Em meio a esse cenário, a Mercedes-Benz apresentará na Fenatran, de 9 a 13 de novembro, no São Paulo Expo, novidades para as famílias Accelo, Atego, Axor, Actros e Arocs. Os lançamentos coincidem com as comemorações dos 70 anos da empresa no Brasil e os 130 anos da invenção do primeiro caminhão por Gottlieb Daimler, na Alemanha.

Entre as novidades está a nova central multimídia de 10,1 polegadas, disponível para as famílias Accelo, Atego, Axor, Arocs e Actros. O equipamento oferece navegação offline com rotas adaptadas às restrições de altura, peso e largura dos caminhões, além de compatibilidade com Android e Apple.

Para operações urbanas e de construção civil, a marca apresenta o Atego 3433 6×4 com entre-eixos curto de 3,6 metros, desenvolvido para facilitar as manobras em espaços reduzidos e a instalação de implementos como caçambas basculantes e betoneiras. Outra novidade é o Accelo 1117 para transporte de valores, desenvolvido com um implementador e já encomendado pela Brink’s Brasil, que adquiriu dez unidades para sua frota.

No segmento de mineração, o Atego 3433 6×4 com entre-eixos longo pode receber tanque de até 20 mil litros para aspersão de água em estradas de terra. Já o extrapesado Arocs 5851 8×4 recebe um pacote específico para mineração, com filtro de ar reforçado e possibilidade de instalação do Assistente Ativo de Frenagem ABA5.

Para o agronegócio, as novidades incluem o Atego 3033 8×2 com eixo traseiro HL7 e bloqueio de diferencial, o Actros 2653 6×4 com Pacote Robustez e soluções do Arocs para composições de até 91 toneladas, como os super rodotrens utilizados no transporte de cana-de-açúcar.

No transporte rodoviário, o Axor ganha a nova cor Azul Claro retrô, em referência a modelos históricos da marca, além de preparação para rastreadores de terceiros e novas opções de personalização. O Actros 2653 6×4 passa a oferecer o sistema adicional de travamento de portas CabLock e um pacote de baterias para partida de emergência, além de novas opções de conforto e segurança para o motorista.

Pós-venda e disponibilidade operacional

A estratégia comercial inclui ainda o fortalecimento do portfólio de peças e serviços. A linha RENOV de componentes remanufaturados passa a incluir o motor OM 471 de 530 cavalos, com preço cerca de 30% inferior ao de um motor novo, segundo a empresa.

Outro destaque é o My Truck Point, portal digital que reúne contratos, serviços e informações da frota em uma única plataforma. A ferramenta integra soluções como FleetBoard e Mercedes-Benz Trucks Uptime, além do Service 24 Horas Connected, que permite o reporte on-line de ocorrências para agilizar o atendimento e reduzir o tempo de reparo.

Com as novidades, a Mercedes-Benz busca atender às necessidades específicas de diferentes operações de transporte, ampliando as opções de configuração dos caminhões e os serviços de suporte ao cliente. Em um mercado no qual o custo de aquisição e a disponibilidade dos veículos pesam nas decisões de investimento, a estratégia combina renovação do portfólio, eficiência operacional e serviços de pós-venda.

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