Lula cobra bancos para ampliar acesso de caminhoneiros ao Move Brasil 2 – Transporte Moderno

01/05/2026

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez um apelo direto aos bancos públicos para ampliar o acesso de caminhoneiros autônomos ao crédito do programa Move Brasil 2, ao mesmo tempo em que reforçou a estratégia do governo de investir em infraestrutura rodoviária e biocombustíveis como pilares para modernizar o transporte no país.

Durante discurso, Lula afirmou que instituições como Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal e Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social precisam atuar com “mais carinho” no atendimento aos caminhoneiros autônomos, que, segundo ele, tiveram baixa participação na primeira fase do programa.

“O que percebemos no Move 1 é que atendeu muito mais as empresas. Os autônomos acessaram muito pouco”, disse. O presidente citou que, de R$ 1 bilhão disponibilizado inicialmente, apenas cerca de R$ 200 milhões haviam sido efetivamente liberados até determinado momento, indicando entraves no acesso ao financiamento.

Foco nos autônomos e condições melhores

Para corrigir esse desequilíbrio, o governo decidiu flexibilizar as condições do crédito, com aumento do prazo de carência, alongamento do tempo de pagamento e redução das taxas de juros — ainda consideradas elevadas, segundo o próprio presidente.

Lula pediu que os bancos priorizem operações com pequenos transportadores, mesmo que isso implique maior esforço operacional. “É mais fácil atender um cliente grande do que mil pequenos, mas são os mais pobres da cadeia que precisam de mais atenção”, afirmou.

Ele também indicou que, caso a demanda cresça, o governo pode ampliar os recursos do programa. “Se tiver mais procura, a gente faz aparecer dinheiro”, disse, destacando que a consistência do projeto é determinante para viabilizar financiamento público.

Infraestrutura: pontos de parada para caminhoneiros

Outro ponto enfatizado foi a criação de infraestrutura de apoio nas rodovias. Segundo Lula, o governo prevê a implantação de 41 pontos de parada e descanso para caminhoneiros até o fim do ano, exigidos em novos contratos de concessão.

A medida busca aumentar a segurança e reduzir riscos enfrentados pelos motoristas, que muitas vezes estacionam em locais improvisados. “Vocês não podem continuar dormindo sem segurança, correndo risco de roubo ou de vida”, afirmou.

Crítica ao modelo europeu e defesa do biocombustível

O presidente também criticou o modelo europeu de evolução tecnológica para motores a diesel, baseado em sucessivas normas de emissões (Euro 5, 6, 7 e futuras), que, segundo ele, encarecem os veículos no Brasil.

Ao relatar visita a uma feira industrial em Hannover, na Alemanha, Lula afirmou que testes indicaram que o biodiesel brasileiro pode ser até 90% menos emissor de CO₂ no ciclo completo (“do poço ao motor”) em comparação com combustíveis europeus.

Com base nisso, defendeu que o país não precisa seguir o mesmo caminho tecnológico e pode apostar nos biocombustíveis como alternativa mais competitiva e sustentável. “O Brasil pode virar a Arábia Saudita do biocombustível”, afirmou.

O presidente também antecipou novos aumentos na mistura obrigatória de biocombustíveis, reforçando a estratégia de descarbonização baseada em produção nacional.

Indústria e política pública

Lula voltou a defender maior integração entre governo, setor produtivo e trabalhadores na formulação de políticas industriais e de transporte. Segundo ele, programas como o Move Brasil devem incluir contrapartidas e diálogo com diferentes agentes da cadeia.

“O governo existe para resolver problemas”, afirmou, citando desafios como acesso ao crédito, renovação de frota, segurança nas estradas e redução de emissões.

A expectativa do governo é que, com ajustes no programa e maior inclusão dos autônomos, o país avance na renovação da frota de caminhões e ônibus, com ganhos de eficiência, segurança e sustentabilidade no transporte rodoviário.

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