Governo lança Move Brasil 2 com R$ 21,2 bi em crédito e juros a partir de 11% – Transporte Moderno

03/05/2026

O governo federal lançou nesta quinta-feira (30) o Move Brasil 2, nova rodada do programa de financiamento para renovação de frota de caminhões, ônibus e implementos rodoviários, com condições mais vantajosas em relação à fase anterior.

A principal mudança está na ampliação do volume de crédito e na melhora das condições financeiras. O programa passou de cerca de R$ 10 bilhões na primeira etapa para R$ 21,2 bilhões nesta nova fase. Para caminhoneiros autônomos, os recursos foram ampliados de R$ 1 bilhão para R$ 2 bilhões, garantindo maior acesso a esse público.

As taxas de juros foram reduzidas para a faixa de 11% a 12% ao ano — ante níveis próximos de 14% no Move Brasil 1 — enquanto o prazo de financiamento dobrou, passando de até cinco para até dez anos (120 meses). A carência também foi ampliada, de seis para 12 meses no caso dos autônomos.

Outra mudança relevante é o escopo do programa, que deixou de contemplar apenas caminhões e passou a incluir ônibus e implementos rodoviários, ampliando o impacto sobre a cadeia produtiva.

Segundo o vice-presidente Geraldo Alckmin, o pacote ficou “maior, melhor e mais abrangente”. “Ampliamos recursos, reduzimos juros e aumentamos prazos, o que viabiliza a prestação e a compra”, afirmou.

Durante o anúncio, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva destacou o efeito direto sobre a indústria nacional. “Cada caminhão ou ônibus financiado é um pedido para a indústria brasileira. Estamos falando de produtos com 100% de conteúdo nacional, de emprego e renda no Brasil”, disse. Segundo ele, o programa reduz custos do transporte, fortalece a indústria e contribui para uma logística mais eficiente e sustentável.

Indústria e política industrial no centro

O lançamento reforçou a retomada da política industrial como eixo da estratégia econômica. O presidente da Anfavea, Igor Calvet, afirmou que o programa é resultado de diálogo entre governo e setor produtivo ao longo dos últimos meses.

“O governo ouviu a indústria. O Move 1 permitiu reaquecer o mercado em um momento difícil, com cerca de R$ 10 bilhões contratados rapidamente”, disse. Segundo ele, a medida ajudou a reverter a perda de aproximadamente 700 empregos nas montadoras.

Calvet ressaltou que o impacto vai além da indústria automotiva. “O caminhão é o meio pelo qual a economia funciona. É o alimento que chega à mesa, a produção que vai para exportação. Esse programa é para toda a economia.”

A Anfir também destacou o impacto positivo sobre a cadeia de implementos, diretamente beneficiada pela renovação da frota.

Autônomos ganham espaço

Um dos principais avanços do Move Brasil 2 é a garantia de acesso ao crédito para caminhoneiros autônomos, com destinação de parte relevante dos recursos para esse público. O objetivo é evitar concentração apenas em grandes frotistas e ampliar a renovação da frota na base do setor.

O desenho do programa envolveu articulação entre diferentes áreas do governo, incluindo equipes do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), do Planejamento e da Fazenda, além de diálogo com representantes dos caminhoneiros.

Entre as condições, estão carência de 12 meses e prazo de até 120 meses para pagamento, o que atende a uma demanda histórica da categoria.

O governo também destacou ações paralelas voltadas aos caminhoneiros, como a regulamentação do piso do frete com fiscalização eletrônica, a suspensão de milhões de multas consideradas indevidas no sistema de pedágio eletrônico (free flow) e medidas para conter a alta do diesel, incluindo isenção de tributos e fiscalização de preços.

Crédito e papel dos bancos

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que o programa faz parte de uma estratégia de estímulo ao crédito produtivo. “Estamos ampliando o acesso ao financiamento para quem produz e transporta, garantindo equilíbrio na economia”, disse.

Um dos pilares é o aporte de R$ 2 bilhões no Fundo Garantidor para Investimentos (FGI), operado pelo BNDES, que pode alavancar cerca de R$ 16 bilhões em crédito.

O Banco do Brasil e a Caixa Econômica Federal participarão da operacionalização, ampliando a capilaridade do programa.

Além do estímulo à indústria, o Move Brasil 2 deve gerar ganhos logísticos, ambientais e de segurança. A renovação da frota contribui para reduzir emissões — caminhões novos podem poluir significativamente menos que modelos antigos — e para diminuir acidentes nas rodovias.

Clique aqui para acessar a fonte do texto!

Compartilhe nas redes sociais:

Categorias

Inscreva-se na nossa Newsletter e fique por dentro de todas as notícias

Por que ser associado?

Ao se associar, sua empresa passa a contar com uma entidade que representa o setor, facilita conexões, reduz custos e contribui para o desenvolvimento.

Leia também

Ever Express vira vitrine da estratégia da Mercedes-Benz em caminhões pesados – Transporte Moderno

Campinas (SP) – Em um mercado de caminhões pressionado pelos juros elevados...

Valor de revenda define competitividade de marcas no mercado de caminhões

Valor de revenda define competitividade de marcas no mercado de caminhões –...

Roubo de cargas cai, mas prejuízo resiste no Brasil – Transporte Moderno

O roubo de cargas mantém trajetória de queda no Brasil em 2026,...