Fim do Move Brasil faz CDC voltar a ganhar espaço no Banco Mercedes-Benz, diz CEO da instituição – Transporte Moderno

17/08/2026

O fim dos recursos do Move Brasil começa a mudar a estratégia dos bancos de montadoras no financiamento de caminhões e ônibus. Com o crédito subsidiado deixando de ocupar o espaço que ganhou no primeiro semestre, as instituições voltam a colocar o crédito direto ao consumidor (CDC) entre as principais alternativas para empresas que precisam renovar ou ampliar suas frotas.

No Banco Mercedes-Benz, o CDC ainda representa R$ 8 bilhões de uma carteira de aproximadamente R$ 20 bilhões. Segundo o executivo da instituição, porém, o produto perdeu espaço no primeiro semestre diante das condições oferecidas pelo Move Brasil, que passou a concentrar parte relevante da demanda por financiamento.

Com o fim dos recursos do programa, o banco voltou a oferecer campanhas de CDC em conjunto com a montadora. A modalidade permite maior flexibilidade para a criação de condições comerciais, inclusive com subsídios da fabricante em determinadas campanhas. As taxas, no entanto, não retornaram aos níveis praticados pelo Move.

“Não conseguimos oferecer o mesmo preço do Move”, afirmou o presidente e CEO do Banco Mercedes-Benz, Leonardo Piccinini, ao explicar a estratégia adotada para fazer uma transição gradual para o financiamento de mercado.

A mudança ocorre em um momento de juros ainda elevados no Brasil, o que mantém o custo do crédito como um dos principais obstáculos à renovação das frotas. Na avaliação do executivo, mesmo uma eventual redução da taxa básica de juros deverá chegar de forma lenta ao financiamento de veículos comerciais.

A expectativa mencionada pelo executivo é de que a curva futura dos juros aponte para uma taxa próxima de 14% ao fim do ano. Mesmo com a possibilidade de novos cortes, a percepção é de que seria necessária uma queda mais prolongada dos juros para produzir impacto significativo no custo do financiamento para as empresas.

BNDES

Outro obstáculo apontado pelos bancos é o acesso às linhas do BNDES. Segundo o executivo, a instituição de fomento está mais rigorosa na análise da documentação exigida dos clientes, aumentando o número de empresas que não conseguem se enquadrar nas linhas disponíveis.

Nesse cenário, o CDC funciona como uma alternativa para empresas que não são elegíveis às linhas do BNDES. A modalidade também permite que os bancos de montadoras trabalhem com campanhas específicas em parceria com as fabricantes.

A estratégia ganha importância diante da necessidade de manter o mercado de veículos comerciais funcionando mesmo com o crédito mais caro. Para as montadoras, a combinação de juros elevados, exigências maiores para acesso às linhas públicas e fim de programas subsidiados tende a tornar o financiamento um fator ainda mais relevante para o ritmo de renovação das frotas.

“Ressaca” após o crédito subsidiado

O executivo classificou o período posterior ao Move Brasil como uma espécie de “ressaca” para o mercado. Segundo ele, clientes que se acostumaram durante determinado período a financiar veículos com taxas subsidiadas precisam agora se adaptar às condições de mercado.

Para reduzir o impacto da mudança, os bancos de montadoras passaram a lançar campanhas com taxas intermediárias entre as condições oferecidas pelo programa e as taxas convencionais de mercado.

A estratégia busca evitar que o aumento abrupto do custo do crédito faça empresas desistirem de investimentos já planejados. Ao mesmo tempo, as instituições reconhecem que não conseguem reproduzir integralmente as condições oferecidas pelo programa subsidiado.

A situação também reforça a importância do CDC dentro do modelo de negócios dos bancos ligados às montadoras. Além de atender empresas que não conseguem acessar o crédito do BNDES, a modalidade dá às instituições maior liberdade para criar condições comerciais em parceria com as fabricantes.

Para o mercado de caminhões e ônibus, o desafio passa a ser atravessar a transição entre o crédito subsidiado e o financiamento convencional sem interromper o ciclo de renovação das frotas. A avaliação do executivo é que, mesmo com eventual queda dos juros, a melhora será gradual e deverá levar tempo para chegar integralmente ao custo do crédito para o transportador.

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