Após queda de braço com caminhoneiros, Senado aprova MP do Frete – Transporte Moderno

15/07/2026

O Senado aprovou nesta terça-feira (14) a Medida Provisória 1.343/2026, conhecida como MP do Frete, evitando que a proposta perdesse validade já nesta quinta-feira (16) e abrindo caminho para uma nova etapa de fiscalização eletrônica do transporte rodoviário de cargas no Brasil.

Embora o debate político tenha sido dominado pela inclusão da anistia às multas aplicadas a caminhoneiros que participaram dos bloqueios rodoviários após as eleições de 2022, o impacto para o setor está no endurecimento dos mecanismos de controle do cumprimento da Política Nacional de Pisos Mínimos do Transporte Rodoviário de Cargas, criada em 2018 após a greve dos caminhoneiros.

A MP não cria um novo piso de frete. O que muda é a capacidade do Estado de fiscalizar e punir operações realizadas abaixo dos valores definidos pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT).

Pressão dos caminhoneiros acelerou votação

A aprovação ocorreu em meio à crescente pressão de entidades representativas dos caminhoneiros, que defendiam a manutenção da medida e chegaram a mencionar a possibilidade de mobilizações caso a MP perdesse validade.

O risco de paralisações e a proximidade do vencimento da medida levaram governo e oposição a construir um acordo para viabilizar a votação antes da perda de validade da MP. Como os senadores promoveram apenas ajustes de redação, o texto não precisará retornar à Câmara dos Deputados.

A principal controvérsia durante a tramitação envolveu a inclusão de um dispositivo que concede anistia às multas aplicadas a caminhoneiros e transportadores envolvidos nos bloqueios rodoviários ocorridos após as eleições presidenciais de 2022.

O texto original do governo não previa a medida. O dispositivo foi incluído durante a tramitação na Câmara e acabou se transformando no principal ponto de atrito entre governo e oposição durante as negociações no Senado.

Para o setor de transporte e logística, entretanto, o principal legado da MP tende a ser outro: a transformação do piso mínimo em uma obrigação cada vez mais monitorada por sistemas eletrônicos e incorporada ao processo de contratação do frete.

Após a aprovação da MP, lideranças dos caminhoneiros defenderam a desmobilização das manifestações que vinham sendo articuladas para pressionar o Congresso pela votação da proposta. Presidente da Associação Brasileira dos Condutores de Veículos Automotores (Abrava), Wallace Landim, o Chorão, afirmou que a categoria agora deverá concentrar esforços na regulamentação da medida junto à ANTT.

“Agora é hora de desmobilizar e trabalhar junto à ANTT para trazer, o mais rápido possível, tranquilidade para a categoria”, afirmou.

Leia mais:

“Se a MP do Frete caducar, paralisação será nacional”, afirma líder dos caminhoneiros

Brasil injeta R$ 15 bilhões em hidrovias e construção naval

Como a estratégia da Nutrymax garante à Mercedes-Benz a venda de mais de 100 caminhões por ano

Fiscalização eletrônica

O principal instrumento da nova fase será a obrigatoriedade de cadastramento das operações e a ampliação do uso do Código Identificador da Operação de Transporte (CIOT), documento que reúne informações sobre contratante, transportador, origem, destino, valor da operação e forma de pagamento.

A expectativa do setor é que a integração entre CIOT, Manifesto Eletrônico de Documentos Fiscais (MDF-e), RNTRC e sistemas eletrônicos de pagamento permita à ANTT ampliar significativamente a fiscalização e reduzir o espaço para contratações abaixo da tabela mínima.

Na prática, o transporte rodoviário começa a migrar para um modelo de fiscalização baseado em cruzamento eletrônico de dados, semelhante ao movimento observado nos últimos anos com a Nota Fiscal Eletrônica e o eSocial.

Para transportadores autônomos, a mudança representa maior previsibilidade de receita e redução da concorrência considerada predatória. Para embarcadores e contratantes, porém, a tendência é de menor flexibilidade comercial e aumento das exigências de conformidade regulatória.

Penalidades severas

A medida também amplia as penalidades para empresas que contratarem transporte abaixo dos valores mínimos estabelecidos pela ANTT. As sanções incluem multas, suspensão de operações e restrições administrativas em casos de reincidência, elevando significativamente o risco regulatório para embarcadores, operadores logísticos e transportadoras que utilizam subcontratação de terceiros.

Especialistas do setor avaliam que o custo do descumprimento da tabela tende a aumentar substancialmente, reduzindo a atratividade econômica das operações fora das regras estabelecidas pela agência reguladora.

Revisão da fórmula preocupa embarcadores

Outro ponto que gerou preocupação entre representantes da indústria e do agronegócio é a ampliação das variáveis consideradas no cálculo do piso mínimo.

As mudanças discutidas durante a tramitação da MP ampliam os custos considerados na metodologia utilizada pela ANTT, incluindo despesas operacionais e parâmetros adicionais relacionados à atividade transportadora. Na avaliação de representantes do setor produtivo, a alteração poderá elevar os valores de referência em determinadas rotas e operações.

A expectativa é que a regulamentação posterior da ANTT seja determinante para definir o impacto efetivo sobre os custos logísticos do país.

Clique aqui para acessar a fonte do texto!

Compartilhe nas redes sociais:

Categorias

Inscreva-se na nossa Newsletter e fique por dentro de todas as notícias

Por que ser associado?

Ao se associar, sua empresa passa a contar com uma entidade que representa o setor, facilita conexões, reduz custos e contribui para o desenvolvimento.

Leia também

Em nova fase no Brasil, Farizon prepara lançamento de caminhão elétrico semileve – Transporte Moderno

A fabricante chinesa Farizon prepara o lançamento de um caminhão elétrico semileve...

Mortes de pedestres idosos aumentam no Brasil e acendem alerta no trânsito

O envelhecimento da população torna ainda mais urgente pensar cidades capazes de...

Comissão da Câmara pode votar relatório que reúne 270 propostas de mudanças no CTB

Comissão especial da Câmara deve analisar relatório que reúne 270 propostas de...