Alta de 20% no diesel acende alerta

21/03/2026

Setor de transporte enfrenta pressão e risco de desabastecimento

Redação TranspoData

Imagem, Divulgação

O transporte rodoviário de cargas no Brasil enfrenta um momento crítico. A alta nos preços do óleo diesel, que acumula avanço de 20% nas bombas ao longo de março, elevou o nível de pressão sobre o setor e acendeu um alerta para possíveis impactos no abastecimento e na operação logística em todo o país.

Dados do Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário (IBPT), com base em mais de 192 mil notas fiscais eletrônicas, mostram a intensidade do movimento: o diesel S10 registrou alta de 19,71% no mês, enquanto o diesel aditivado subiu 17,61%. O preço médio nacional chegou a R$ 7,17 por litro. Nas rodovias, os valores são ainda mais elevados, com variações de até R$ 1,10 entre postos e registros acima de R$ 7,60 em algumas regiões.

A elevação dos custos pressiona diretamente a operação das transportadoras e dos caminhoneiros autônomos. O diesel representa, em média, cerca de 35% do custo do frete, tornando-se um fator determinante para a sustentabilidade das operações.

A insatisfação da categoria se intensificou nas últimas semanas. Lideranças de caminhoneiros autônomos, cooperativas e sindicatos, como o Sindtanque, cobram medidas imediatas do governo federal para reduzir o preço do combustível e garantir o cumprimento do piso mínimo de frete. O cenário eleva o nível de atenção do mercado diante do risco de paralisações.

Além da pressão sobre os custos, cresce a preocupação com o abastecimento. Especialistas apontam risco pontual de falta de diesel a partir de abril, principalmente em regiões mais dependentes do produto importado.

O Brasil importa cerca de 30% do diesel que consome. A defasagem em relação aos preços internacionais tem desestimulado as importações, que chegaram a volumes até quatro vezes inferiores ao necessário.

Embora a Petrobras e grandes distribuidoras descartem um cenário de escassez generalizada, já há sinais de restrição na ponta. Relatos de postos sem diesel surgem no Distrito Federal, em São Paulo e na região Sul, afetando diretamente transportadoras e produtores rurais.

As medidas anunciadas pelo governo federal — como a isenção de PIS/COFINS e a subvenção de R$ 0,32 por litro — não foram suficientes para conter a alta nas bombas.

O Ministério dos Transportes busca conter o avanço da crise, com ações voltadas à fiscalização do cumprimento do piso do frete e ao monitoramento do mercado.

Para as empresas de transporte e logística, o momento exige gestão rigorosa de custos e capacidade de adaptação. A adoção de mecanismos de recomposição, como o gatilho do diesel, defendida por entidades como a NTC&Logística, ganha relevância como ferramenta de equilíbrio operacional.

O cenário mantém o setor em estado de atenção, com impactos potenciais sobre o abastecimento, a inflação e o ritmo da atividade econômica.

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