Addiante prevê salto da locação de caminhões no Brasil a partir de 2027 – Transporte Moderno

21/07/2026

A Addiante, empresa especializada em locação de caminhões, implementos e máquinas, avalia que a reforma tributária e as mudanças recentes no transporte rodoviário de cargas devem acelerar a demanda por aluguel de frotas a partir de 2027. A expectativa da companhia é que a adoção do modelo ganhe força à medida que embarcadores e transportadoras revisem suas estruturas de custos e busquem reduzir a necessidade de capital imobilizado.

Em entrevista à Agência Transporte Moderno, o diretor comercial da companhia, Silvio Campos, disse que a combinação entre juros ainda elevados, a fiscalização mais intensa do piso mínimo do frete e as discussões sobre a implementação da Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS), de competência federal, e do Imposto sobre Bens e Serviços (IBS), de competência estadual e municipal — os dois novos tributos criados pela reforma tributária para substituir impostos como PIS, Cofins, ICMS e ISS — está levando clientes a reavaliar a forma como administram suas operações.

“A reforma tributária fará empresas revisitarem toda a cadeia logística para entender onde podem capturar créditos e reduzir custos. Nesse contexto, a locação tende a ganhar ainda mais espaço”, afirmou o executivo da Addiante.

Ao mesmo tempo, a Addiante observa um aumento das consultas de grandes embarcadores interessados em estudar alternativas para internalizar suas operações de transporte. Em muitos casos, a locação surge como uma solução intermediária entre manter frota própria e contratar transporte de terceiros. “Esse movimento ganhou força após o endurecimento da fiscalização do piso mínimo do frete, segundo Campos

Reforma tributária puxará a demanda

Apesar da expectativa de retomada do mercado, a Addiante avalia que 2026 deverá terminar praticamente estável. Segundo a empresa, o desempenho do primeiro semestre ficou em linha com o registrado no mesmo período do ano passado e a projeção é encerrar o exercício repetindo esse resultado.

Embora o programa Move Brasil tenha ampliado o acesso ao financiamento subsidiado para parte dos transportadores, o diretor comercial afirma que o impacto negativo sobre o mercado de locação foi limitado. Na avaliação dele, a iniciativa beneficiou principalmente pequenas e médias empresas e concentrou seus efeitos em um curto período, sem alterar a dinâmica estrutural do setor.

A expectativa da companhia é que esse cenário comece a mudar em 2027. Com o avanço das discussões sobre a reforma tributária, a empresa acredita que mais transportadoras passarão a considerar a locação como alternativa para preservar caixa e reduzir investimentos em ativos próprios.

Para atender esse movimento, a Addiante vem ampliando sua oferta de serviços. Segundo Campos, todos os ativos são monitorados por telemetria e integrados a uma central própria de gestão, que acompanha indicadores como consumo de combustível, disponibilidade da frota e manutenção preventiva, permitindo oferecer consultoria operacional aos clientes.

A empresa também desenvolveu uma plataforma capaz de integrar dados de 15 fornecedores diferentes em uma única central de monitoramento, possibilitando comparar indicadores de desempenho de toda a frota administrada.

Criada em 2022 como uma joint venture entre Gerdau e Randoncorp, a Addiante administra atualmente mais de 4,2 mil ativos, entre caminhões, implementos rodoviários e máquinas — cerca de metade da frota é composta por caminhões. Desde o início das operações, a companhia estima ter investido mais de R$ 1,3 bilhão em sua operação.

Na avaliação de Campos, o mercado brasileiro de locação de caminhões ainda está em estágio inicial. Atualmente, cerca de 10% dos caminhões vendidos no país são destinados às locadoras, enquanto em mercados mais maduros, como Estados Unidos e Europa, essa participação varia entre 25% e 30%. A expectativa da empresa, no entanto, é que o Brasil alcance um índice entre 20% e 25% nos próximos cinco anos, impulsionado pela profissionalização das transportadoras, pela adoção de investimento em ativos próprios e pelos efeitos das mudanças regulatórias e tributárias.

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