Roubo de carga cai no Rio, mas prejuízo aumenta – Transporte Moderno

24/09/2026

O número de roubos de carga vem recuando no Rio de Janeiro, mas os ataques continuam produzindo perdas elevadas e apresentam sinais de mudança de perfil. Em agosto, foram registradas 134 ocorrências no Estado, queda de 26% em relação aos 182 casos do mesmo mês de 2025. No sentido contrário, o valor das mercadorias roubadas saltou 61%, de R$ 10,55 milhões para R$ 16,99 milhões.

Os dados são do programa Carga Blindada, do Sindicato das Empresas de Transporte Rodoviário de Cargas e Logística do Rio de Janeiro (Sindicarga), com base em informações do Instituto de Segurança Pública (ISP) e da Polícia Civil.

Outro levantamento da entidade chama atenção para a reincidência. Dos 168 réus envolvidos em 100 processos de roubo de carga acompanhados pelo departamento jurídico do sindicato desde 2023, 158 já tinham antecedentes, segundo o Sindicarga. O grupo corresponde a 94% dos réus analisados.

O percentual se refere especificamente aos processos monitorados pela entidade e, portanto, não representa necessariamente o universo dos autores de roubos de carga no Estado. Ainda assim, o indicador será um dos pontos discutidos pelo setor com autoridades de segurança e representantes dos poderes Judiciário e Legislativo nesta sexta-feira (25).

R$ 930 milhões em cargas desde 2023

Entre janeiro de 2023 e agosto deste ano, o Carga Blindada contabilizou 11.809 ocorrências no Rio de Janeiro, com R$ 930 milhões em mercadorias roubadas. O volume equivale a uma média próxima de nove registros por dia ao longo do período.

Em 2025, foram 3.114 roubos de carga no Estado, redução de 9,4% sobre o ano anterior. A queda das ocorrências prosseguiu em agosto deste ano, mas o aumento do valor das mercadorias levadas indica que a redução na frequência dos crimes não necessariamente produz queda proporcional das perdas financeiras.

A Delegacia de Roubos e Furtos de Cargas (DRFC) identifica ainda mudanças na atuação das quadrilhas. Produtos alimentícios continuam entre os alvos devido à facilidade de revenda, mas cargas de maior valor agregado, como medicamentos, também despertam interesse dos criminosos.

Segundo o delegado André Prates, da DRFC, o roubo envolve uma estrutura que ultrapassa a abordagem ao veículo e inclui apoio para retirada, transporte e posterior comercialização das mercadorias. A polícia também identificou casos de infiltração em empresas de monitoramento e acompanhamento de locais utilizados para pernoite de caminhoneiros.

Capital e Caxias concentram ocorrências

A distribuição geográfica dos crimes mostra forte concentração na Região Metropolitana. A cidade do Rio de Janeiro registra 5.738 abordagens a veículos de carga no levantamento acumulado desde 2023, enquanto Duque de Caxias soma 2.742. Juntos, os dois municípios respondem por aproximadamente 72% dos casos mapeados pelo Carga Blindada.

São João de Meriti aparece em seguida, com 820 registros, seguido por São Gonçalo, com 732; Nova Iguaçu, com 494; e Belford Roxo, com 486. Dentro da capital, Bonsucesso registra 388 abordagens, seguido por Bangu, com 265, e Pavuna, com 251.

A concentração também aparece nos locais utilizados para o transbordo das mercadorias retiradas dos veículos. A capital reúne 5.808 registros e Duque de Caxias, 2.588. Localidades da Maré somam 481 ocorrências, enquanto Costa Barros e Guadalupe concentram outras 339.

A geografia dos casos ajuda a explicar por que o combate ao roubo de cargas envolve não apenas policiamento de vias e proteção dos veículos, mas também ações contra estruturas utilizadas para receber, armazenar e distribuir produtos roubados.

Reincidência entra no debate

Para o Sindicarga, os 94% de reincidência identificados nos processos acompanhados pela entidade colocam a atuação do sistema de Justiça no centro da discussão.

Filipe Coelho, presidente do Sindicarga / Foto: Divulgação

“Precisamos da efetividade das punições. O trabalho da polícia precisa ter continuidade na Justiça e na legislação. Não podemos exigir das forças de segurança um esforço permanente para prender as mesmas pessoas sem enfrentar o que permite esse retorno ao crime”, afirma Filipe Coelho, presidente do sindicato.

A questão será debatida no 8º Fórum de Segurança Pública Carga Blindada, que será realizado nesta sexta-feira (25), no Rio. O encontro reunirá representantes dos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário e do setor produtivo.

Além da reincidência e do roubo de cargas, estão previstos debates sobre retomada de territórios, combate à receptação, ocupações irregulares, estrutura das forças de segurança e propostas de mudanças na legislação. As entidades participantes pretendem consolidar as discussões em uma carta a ser encaminhada a gestores públicos e parlamentares.

Os dados recentes colocam dois movimentos no radar das transportadoras: de um lado, a redução do número de ocorrências; de outro, o aumento do valor das cargas levadas. A combinação indica que acompanhar apenas a quantidade de roubos pode não ser suficiente para medir o impacto do crime sobre as operações de transporte e os custos logísticos.

Clique aqui para acessar a fonte do texto!

Compartilhe nas redes sociais:

Categorias

Inscreva-se na nossa Newsletter e fique por dentro de todas as notícias

Por que ser associado?

Ao se associar, sua empresa passa a contar com uma entidade que representa o setor, facilita conexões, reduz custos e contribui para o desenvolvimento.

Leia também

Encontro do Vez & Voz denuncia aumento da violência contra mulher

Durante encontro, participantes foram incentivadas a fortalecer o combate à violência e...

Você passaria na nova prova da CNH? Descubra com 10 situações reais do exame

Embora a legislação estabeleça apenas um mínimo obrigatório, uma formação completa em...

Grupo Potencial adquire 31 caminhões Volvo FH B100 Flex para operar com biodiesel puro

Grupo Potencial adquire 31 caminhões Volvo FH B100 Flex para operar...